segunda-feira, 22 de março de 2010

I Don't Wanna Grow Up



Os Ramones já diziam. Tom Waits já dizia. Os Descendents também já diziam. Deus, até a Scarlett Johansson anda dizendo. Afinal de contas, o que há de tão ruim assim em crescer?

Muitas coisas. Assim como muitas coisas são horríveis quando você é criança, adolescente ou qualquer coisa do tipo. Vou me ater mais às crianças, já que elas são a razão principal desse texto. Pra tal, vou tentar explicar concisamente o que me levou a mais uma reflexão duvidosa, daquelas que saem do nada, chegam a lugar nenhum, mas que passam por um caminho interessante, mesmo sendo completamente inútil.

Ando incomodado por uma série de coisas ultimamente, e a mais recente tem sido a cena com a qual convivo desde muito cedo. Por gostar do tipo de música que gosto, ter os tipos de banda que eu tenho, as coisas acabam sendo um pouco mais complicadas. Aquele tão falado estilo Do It Yourself é muito verdadeiro, e quando se ama o que se faz, isso acaba sendo apenas mais um detalhe. Mas tenho me cansado muito disso tudo.

Fui pra Campinas tocar no sábado e me peguei pensando em determinado momento: "O que eu tô fazendo aqui?". Foi nesse momento que eu vi chegando, no meio de todos aqueles cabeludos vestidos de preto, uma criança, com uma regatinha branca, shorts preto e um chinelinho. Ela parou, olhou em volta, tentou entender a situação, tapou os ouvidos pelo som alto da banda que estava tocando. Quando tirei os olhos, pensando que logo a criança iria embora, fui surpreendido - novamente. Ela começou a fazer movimentos estranhos com a mão, imitando aqueles que estavam no local, que, por sua vez, imitavam estar tocando instrumentos. E, quando percebi, lá estava ela, pulando de um lado pro outro, tocando guitarra, baixo, bateria, cantando. Eu tenho certeza que ela não fazia ideia do que a banda tocava, já que nem nós que estamos acostumados entendíamos direito. Mas o que ela sentia era diferente, era verdadeiro.

Aí eu fiquei pensando. Pensando muito. Nesse aspecto, esse pequeno acontecido acaba sendo uma representação microcósmica do que é ser adulto. Aquela coisa do novo acaba indo embora. Como diz o saudoso clichê, quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? As pessoas tendem a ficar cada dia mais assustadas, já que seus atos, com o passar do tempo, acabam significando mais e mais. Eu imagino se alguma pessoa de maior renome fizesse algo do tipo. Nem precisa tanto renome assim. Quem não imagina uma manchete perdida por aí com algo como "Dicesar é flagrado soltando a franga em baile de rock pesado"? E, não se engane, você sabe quem é o Dicesar.

Com o crescimento, vem a consciência. Com a consciência, uma dor de cabeça sem tamanho. É aquela questão do homem da consciência hipertrofiada, presente nas Memórias do Subsolo. Aquela pra mim é a representação mais genial que já fizeram sobre toda essa questão. Quando você pensa, pensa, pensa, pensa, mas acaba não fazendo nada. Vendo a vida passar. É legal crescer, muitas coisas mudam, algumas boas, outras ruins. Mas, assistam o clipe do Tom Waits e, de preferência, leiam a letra. Não tiro nem uma palavra de lá. Em especial:

I don't wanna have to shout it out

I don't want my hair to fall out
I don't wanna be filled with doubt
I don't wanna be a good boy scout
I don't wanna have to learn to count
I don't wanna have the biggest amount
I don't wanna grow up


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ano


Postei essa exata mesma foto no início do outro blog. Na verdade, não foi exatamente essa. Ela agora tá tratada, um pouco diferente. Eu aprendi ao longo do ano alguns recursos, ainda tô aprendendo na verdade, mas dá uma melhorada. O ponto principal de eu colocá-la aqui novamente é o significado. Ela foi feita no primeiro sol do primeiro dia do ano passado. E agora eu escrevo enquanto espero esse mesmo nascer do sol, apenas um ano mais tarde. Acho que é impossível descrever quantas coisas aconteceram entre um sol e outro. Tantas coisas ruins, tantas coisas boas.

A foto funciona como uma metáfora. Passa uma imagem mais bonita de algo belo, mas um pouco mascarado, alterado. Ano passado, a uma hora dessa, já estaria muito, mas muito bêbado, com meus amigos a meu lado, em Florianópolis. Hoje, um desses amigos já não vai poder acompanhar esse novo nascer do sol, eu já abdiquei do álcool, e estou aqui, em Santo André, com minha família. Colocando em perspectiva, muitos são os caminhos possíveis. Analisar se um ano foi "bom" ou "ruim" creio ser algo muito desleal com os milhares de minutos transcorridos nesse período. Pode ser que algo ruim que aconteceu na sua vida durante esse ano venha a se tornar algo bom, ou apenas como uma boa lição.

Eu fico com essa dúvida, pra sempre. O mês de Janeiro trouxe algumas más notícias, assim como Dezembro, algumas que demoram a passar. Notícias antigas, notícias mais novas. Aprendizado eterno. Fico apenas feliz, com um sorriso no rosto, de poder sentar na minha sacada em daqui aproximadamente quatro horas, e poder observar o sol nascer atrás de prédios, em vez de atrás de dunas de areia. Eu, sinceramente, não ligo.

Quanto ao post anterior, eu juro que tentei não ser cliché ou qualquer coisa do tipo, mas a primeira coisa que pensei quando ouvi essa música foi nessa foto. Ela meio que explica tudo que eu penso sobre aquele casal de senhores no canto esquerdo. Um sonho, talvez. De qualquer forma, uma dica: a música não é da Claudia Leitte. A foto é sim a mesma que a desse post, mas lá ela está numa forma crua, assim como saiu da câmera.

Não vou me estender muito nesse primeiro post, ainda estou muito enferrujado pra escrever qualquer coisa por aqui, fica aí mais uma tentativa.

(Re)Começo

Esse blog foi criado com um intuito. Eu, como sempre, consegui desvirtuar o assunto principal e torná-lo uma fonte de lamentos e reclamações. Só olhar pro fundo dele que já dá pra perceber. Por esse motivo, resolvi (re)começar tudo de novo. No fim do ano. Recomeçar no começo de algo novo. Esse último ano foi muito complicado, mas acredito que sai dele, no mínimo, mais forte. Mais seguro, menos abalado com os contratempos que a vida insiste em jogar na nossa cara a cada segundo que passa. Quero transparecer um pouco disso aqui, porque, no final, o mundo já tá cheio de coisas negativas e, definitivamente, não precisa de mais um blog pra isso.