
Os Ramones já diziam. Tom Waits já dizia. Os Descendents também já diziam. Deus, até a Scarlett Johansson anda dizendo. Afinal de contas, o que há de tão ruim assim em crescer?
Muitas coisas. Assim como muitas coisas são horríveis quando você é criança, adolescente ou qualquer coisa do tipo. Vou me ater mais às crianças, já que elas são a razão principal desse texto. Pra tal, vou tentar explicar concisamente o que me levou a mais uma reflexão duvidosa, daquelas que saem do nada, chegam a lugar nenhum, mas que passam por um caminho interessante, mesmo sendo completamente inútil.
Ando incomodado por uma série de coisas ultimamente, e a mais recente tem sido a cena com a qual convivo desde muito cedo. Por gostar do tipo de música que gosto, ter os tipos de banda que eu tenho, as coisas acabam sendo um pouco mais complicadas. Aquele tão falado estilo Do It Yourself é muito verdadeiro, e quando se ama o que se faz, isso acaba sendo apenas mais um detalhe. Mas tenho me cansado muito disso tudo.
Fui pra Campinas tocar no sábado e me peguei pensando em determinado momento: "O que eu tô fazendo aqui?". Foi nesse momento que eu vi chegando, no meio de todos aqueles cabeludos vestidos de preto, uma criança, com uma regatinha branca, shorts preto e um chinelinho. Ela parou, olhou em volta, tentou entender a situação, tapou os ouvidos pelo som alto da banda que estava tocando. Quando tirei os olhos, pensando que logo a criança iria embora, fui surpreendido - novamente. Ela começou a fazer movimentos estranhos com a mão, imitando aqueles que estavam no local, que, por sua vez, imitavam estar tocando instrumentos. E, quando percebi, lá estava ela, pulando de um lado pro outro, tocando guitarra, baixo, bateria, cantando. Eu tenho certeza que ela não fazia ideia do que a banda tocava, já que nem nós que estamos acostumados entendíamos direito. Mas o que ela sentia era diferente, era verdadeiro.
Aí eu fiquei pensando. Pensando muito. Nesse aspecto, esse pequeno acontecido acaba sendo uma representação microcósmica do que é ser adulto. Aquela coisa do novo acaba indo embora. Como diz o saudoso clichê, quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? As pessoas tendem a ficar cada dia mais assustadas, já que seus atos, com o passar do tempo, acabam significando mais e mais. Eu imagino se alguma pessoa de maior renome fizesse algo do tipo. Nem precisa tanto renome assim. Quem não imagina uma manchete perdida por aí com algo como "Dicesar é flagrado soltando a franga em baile de rock pesado"? E, não se engane, você sabe quem é o Dicesar.
Com o crescimento, vem a consciência. Com a consciência, uma dor de cabeça sem tamanho. É aquela questão do homem da consciência hipertrofiada, presente nas Memórias do Subsolo. Aquela pra mim é a representação mais genial que já fizeram sobre toda essa questão. Quando você pensa, pensa, pensa, pensa, mas acaba não fazendo nada. Vendo a vida passar. É legal crescer, muitas coisas mudam, algumas boas, outras ruins. Mas, assistam o clipe do Tom Waits e, de preferência, leiam a letra. Não tiro nem uma palavra de lá. Em especial:
I don't wanna have to shout it out
I don't want my hair to fall out
I don't wanna be filled with doubt
I don't wanna be a good boy scout
I don't wanna have to learn to count
I don't wanna have the biggest amount
I don't wanna grow up
Muitas coisas. Assim como muitas coisas são horríveis quando você é criança, adolescente ou qualquer coisa do tipo. Vou me ater mais às crianças, já que elas são a razão principal desse texto. Pra tal, vou tentar explicar concisamente o que me levou a mais uma reflexão duvidosa, daquelas que saem do nada, chegam a lugar nenhum, mas que passam por um caminho interessante, mesmo sendo completamente inútil.
Ando incomodado por uma série de coisas ultimamente, e a mais recente tem sido a cena com a qual convivo desde muito cedo. Por gostar do tipo de música que gosto, ter os tipos de banda que eu tenho, as coisas acabam sendo um pouco mais complicadas. Aquele tão falado estilo Do It Yourself é muito verdadeiro, e quando se ama o que se faz, isso acaba sendo apenas mais um detalhe. Mas tenho me cansado muito disso tudo.
Fui pra Campinas tocar no sábado e me peguei pensando em determinado momento: "O que eu tô fazendo aqui?". Foi nesse momento que eu vi chegando, no meio de todos aqueles cabeludos vestidos de preto, uma criança, com uma regatinha branca, shorts preto e um chinelinho. Ela parou, olhou em volta, tentou entender a situação, tapou os ouvidos pelo som alto da banda que estava tocando. Quando tirei os olhos, pensando que logo a criança iria embora, fui surpreendido - novamente. Ela começou a fazer movimentos estranhos com a mão, imitando aqueles que estavam no local, que, por sua vez, imitavam estar tocando instrumentos. E, quando percebi, lá estava ela, pulando de um lado pro outro, tocando guitarra, baixo, bateria, cantando. Eu tenho certeza que ela não fazia ideia do que a banda tocava, já que nem nós que estamos acostumados entendíamos direito. Mas o que ela sentia era diferente, era verdadeiro.
Aí eu fiquei pensando. Pensando muito. Nesse aspecto, esse pequeno acontecido acaba sendo uma representação microcósmica do que é ser adulto. Aquela coisa do novo acaba indo embora. Como diz o saudoso clichê, quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? As pessoas tendem a ficar cada dia mais assustadas, já que seus atos, com o passar do tempo, acabam significando mais e mais. Eu imagino se alguma pessoa de maior renome fizesse algo do tipo. Nem precisa tanto renome assim. Quem não imagina uma manchete perdida por aí com algo como "Dicesar é flagrado soltando a franga em baile de rock pesado"? E, não se engane, você sabe quem é o Dicesar.
Com o crescimento, vem a consciência. Com a consciência, uma dor de cabeça sem tamanho. É aquela questão do homem da consciência hipertrofiada, presente nas Memórias do Subsolo. Aquela pra mim é a representação mais genial que já fizeram sobre toda essa questão. Quando você pensa, pensa, pensa, pensa, mas acaba não fazendo nada. Vendo a vida passar. É legal crescer, muitas coisas mudam, algumas boas, outras ruins. Mas, assistam o clipe do Tom Waits e, de preferência, leiam a letra. Não tiro nem uma palavra de lá. Em especial:
I don't wanna have to shout it out
I don't want my hair to fall out
I don't wanna be filled with doubt
I don't wanna be a good boy scout
I don't wanna have to learn to count
I don't wanna have the biggest amount
I don't wanna grow up

